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sábado, 30 de maio de 2009

Será verdade este comentário feito hoje no Expresso?


Na Universidade Independente, Sócrates fez cinco disciplinas num único ano lectivo.
Quatro foram ministradas pelo mesmo professor, António Morais, e a última. Inglês Técnico, foi da responsabilidade de Luís Arouca, reitor da instituição, que por sinal não era professor da cadeira.
Para ser avaliado em Inglês Técnico, Sócrates fez um trabalho de duas páginas e meia dactilografadas em inglês com 19 erros graves, tendo, não obstante, sido aprovado, sem dificuldade, com elevada classificação.
Quem também aparece como licenciado pela Universidade Independente é Armando Vara, amigo e cúmplice político de Sócrates.
Sabe-se que antes de se meter na política, Armando Vara era empregado de balcão da Caixa Geral de Depósitos e tinha o nono ano.
Surge agora como licenciado e administrador do banco do Estado.
Mas quem é António Morais, o homem que num só ano ministrou quatro cadeiras a Sócrates?
Quando, em 1995, Sócrates se inscreve na Independente, António Morais é chamado para o gabinete de Armando Vara, então Secretário de Estado da Administração Interna.
Em Março de 1996, transita, ainda pela mão de Armando Vara, para a chefia do Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações da Administração Interna (GEPI).
Deixa este gabinete quando uma auditoria detecta irregularidades na adjudicação de empreitadas do Ministério.
No entanto, quando, em 2005, o PS volta ao poder, é nomeado por Sócrates e Alberto Costa para presidente do Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial do Ministério da Justiça.
Questionado por jornalistas sobre os seus professores na Universidade Independente, Sócrates disse não se lembrar dos nomes, nem mesmo do deste que lhe ministrara quatro cadeiras.
Em entrevista dada na RTP afirmou não se lembrar de o ter nomeado Presidente do citado Instituto, pois que nomeia muita gente e não se pode lembrar de toda.
Quando António Morais era director do GEPI, o então Secretário de Estado do Ambiente, nada menos que José Sócrates, lançou um concurso para a execução da obra e exploração do aterro sanitário da Cova da Beira.
Devido a denúncias de favorecimento e corrupção na adjudicação do aterro sanitário à empresa Conegil do grupo HLC, António Morais, o professor, e Silvino Alves, seu assistente, são hoje arguidos em processo judicial.
António Morais era, por esta altura, além de professor da Universidade Independente e director do GEPI, consultor do grupo HCL, o tal a quem fora adjudicada a obra do aterro sanitário da Cova da Beira, através da sua empresa Conegil.
A Conegil tinha ligações a uma outra empresa, a Constrope, que construiu a vivenda de Armando Vara em Montemor-o-Novo e cujo projecto foi elaborado por uma empresa do famoso professor da Universidade Independente, António Morais, o tal que ministrou quatro cadeiras diferentes a Sócrates no mesmo ano.
Não sei porquê, mas tenho a impressão de que isto anda tudo ligado: a vivenda de Armando Vara, a licenciatura de José Sócrates, o aterro sanitário da Cova da Beira, o professor António Morais, o grupo HCL, o Secretário de Estado do Ambiente, a adjudicação à empresa Conegil, o director do GEPI, quatro cadeiras diferente dadas num só ano pelo mesmo professor, 19 erros e uma bela classificação em Inglês Técnico, os esquecimentos de Sócrates, o administrador Armando Vara da Caixa Geral de Depósitos, uma auditoria que detecta irregularidades e dois arguidos em processo de favorecimento e corrupção.
Não acho que seja importante ser-se licenciado para se ser um bom primeiro ministro.
Mas não é isso que está em questão nesta opereta. Como diz Marques Mendes, e bem, o problema é de caracter.

Alfredino Cunha, 4 pontos (Bem Escrito), ontem às 12:25