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terça-feira, 24 de abril de 2012

A TRAIÇÃO A PORTUGAL (3ª PARTE).



TODO O PLANO PARA O ASSASSÍNIO DO DR. FRANCISCO SÁ CARNEIRO E DO ENGº. ADELINO AMARO DA COSTA

(3ª PARTE)



Tenho depois reuniões em Lisboa, com o agente da CIA, Frank Sturgies, que conheço pela primeira vez.

Frank Sturgies é uma pessoa de aspecto sinistro e com grande frieza, e é organizador das forças anti-castristas, sediadas em Miami, e é elo de ligação com os "contra" da Nicarágua.

Frank Sturgies refere-me então, que está em marcha um plano para afastar, definitivamente, (entenda-se eliminar) uma pessoa importante, ligada ao Governo Português de então, sem dizer contudo ainda nomes.

Algum tempo depois, possívelmente em Setembro ou Outubro de 1980, jogo ténis com Frank Carlucci quase toda a tarde, na antiga residência do embaixador dos EUA, na Lapa.

Janto depois com ele, onde Frank Cartucci refere novamente que existem problemas em Portugal para a venda e transporte de armas, e que Francisco Sá Carneiro não era uma pessoa querida dos EUA.

Depois já na sobremesa, juntam-se a nós o Gen. Diogo Neto, o Cor. Vinhas, o Cor. Robocho Vaz e Paulo Cardoso, onde se refere novamente a necessidade de se afastarem alguns obstáculos existentes ao negócio de armas.

Todos estes elementos referem a Frank Caducci que eu sou a pessoa indicada para a preparação e implementação desta operação.

Em Outubro de 1980, num juntar no Hotel Sharaton onde participo eu, Frank Sturgies (CIA), Vilfred Navarro (CIA), o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas (já falecidos), onde se refere que há entraves ao tráfico de armas que têm de ser removidos.

Depois há um outro jantar também no Hotel Sharaton, onde participam, entre outros, eu e o Cor. Oliver North, onde este diz claramentete que "é preciso limar algumas arestas" e "se houver necessidade de se tirar aguém do caminho, tira-se", dando portanto a entender que haverá que eliminar pessoas que criam problemas aos negócios de venda de armas.

Oliver North diz-me também que está a ter problemas com a sua própria organização, e que teme que o possam querer afastar e "deixar cair", o que acabou por acontecer.

Há também Portugueses que estavam a beneficiar com o tráfico de armas, como o Major Canto e Castro, o Gen. Pezarat Correia, Franco Charais e o empresário Zoio.

Sabe-se também já nessa altura que Adelino Amaro da Costa estava a tentar acabar com o tráfico de armas, a investigar o fundo de desenvolvimento do Ultramar, e a tentar acabar acabar com lobbies instalados.

Afastar essas duas pessoas pela via política era impossível, pois a AD tinha ganho as eleições.

Restava portanto a via de um atentado.

Passados alguns dias, recebo um telefonema do Major Canto e Castro (pertencente ao conselho da revolução), que eu já conhecia de Angola, pedindo para eu me encontrar com ele no Hotel Altis.

Nessa reunião está também Frank Sturgies, e fala-se pela primeira vez em "atentado", sem se referirem ainda quem é o alvo.

Referem que contam comigo para esta operação.

O Major Canto e Castro diz que é preciso recrutar alguém capaz de realizar esta operação.

Tenho depois uma segunda reunião no Hotel Altis com Frank Sturgies e Philip Snell, onde Frank Sturgies me encarrega de preparar e arranjar alguns operacionais para uma possível operação dentro de pouco tempo, possívelmente dentro de 2 ou 3 meses.

Perguntam-me se já recrutei a pessoa certa para realizar este atentado, e se eu conheço algum perito na fabricação de bombas e em armas de fogo.

Respondo que em Espanha arranjaria alguém da ETA para vir cá fazer o atentado, se tal fosse necessário.

Quem paga a operação e a preparação do atentado é a CIA e o Major Canto e Castro.

Canto e Castro colabora na altura com os serviços Secretos Franceses, para onde entrou através do sogro na época.

O sogro era de nacionalidade Belga, que trabalhava para a SDEC, os serviços de inteligência franceses, em 1979 e 1980.

Canto e Castro casou com uma das suas filhas, quando estava em Luanda, em Angola, ao serviço da Força Aérea Portuguesa.

Em Luanda, Canto e Castro vivia perto de mim.

Tendo que organizar esta operação, falo então com José Esteves e mais tarde com Lee Rodrigues (que na altura ainda não conhecia).


O elo de ligação de Lee Rodrigues em Lisboa era Evo Fernandes, que estava ligado à resistância moçambicana, a Renamo.

Falo nessa altura também com duas pessoas ligadas à ETA militar, para caso do atentado ser realizado através de armas de fogo.

Depois, noutro jantar em casa de Frank Carlucci, na Lapa, na mansarda, no último andar, onde jantamos os dois sozinhos, Frank Carlucci diz abertamente e pela primeira vez, o que eu tinha de fazer, qual era a operação em curso e que esta visava Adelino Amaro da Costa, que estava a dificultar o transporte e venda de armas a partir de Portugal ou que passavam em Portugal, e que havia luz verde dada por Henry Kissinger e Oliver North.

Cumprimento ambos, referindo que sou "o homem deles em Lisboa".

Três semanas antes dos atentado, Canto e Castro e Frank Sturgies, referem pela primeira vez, que o alvo do atentado é Adelino Amaro da Costa.

O Major Canto e Castro afirma que irá viajar para Londres.

Frank Sturgies pede-me que obtenha um cartão de acesso ao aeroporto para um tal Lee Rodrigues, que é referido como sendo a pessoa que levará e colocará a bomba no avião.

Recebo depois um telefonema de Canto e Castro, referindo que está em Londres e para eu ir ter lá com ele.

Refere-me que o meu bilhete está numa agência de viagens situada na Av. da Republica , junto à pastelaria Ceuta.

Chegado a Londres fico no Hotel Grosvenor, ao pé de Victoria Station.

Canto e Castro vai buscar-me e leva-me a uma casa perto do Hotel, onde me mostra pela primeira vez, o material, incluindo explosivos, que servirão para confeccionar a "bomba" nesta operação.

Essa casa em Londres, era ao mesmo tempo residência e consultório de um dentista indiano, amigo de Canto e Castro, Canto e Castro refere-me que esse material será levado para Portugal pela sua companheira Juanita Valderrama.

O Major Canto e Castro pede-me então que vá ao Hotel Altis recolher o material.

Vou então ao Hotel acompanhado de José esteves, e recebemos uma mala e uma carta da senhora Juanita, José Esteves prepara então uma bomba destinada a um avião, com esses materiais, com a ajuda de Carlos Miranda.

O Major Canto e Castro volta depois de Londres, encontra-se comigo, e digo-lhe que a bomba está montada.

Lee Rodrigues é-me apresentado pelo Major Canto e Castro.

Alguns dias depois Lee Rodrigues telefona-me e encontramo-nos para jantar no restaurante Galeto, junto ao Saldanha, juntamente com Canto e Castro, onde aparece também Evo Fernandes, que era o contacto de Lee Rodrigues em Lisboa.

Fora Evo Fernandes que apresentara Lee Rodrigues a Canto e Castro.

Lee Rodrigues era moçambicano e tinha ligações à Renamo.

Nesse jantar alinham-se pormenores sobre o atentado.

Canto e Castro refere contudo nesse jantar que o atentado será realizado em Angola.

Perante esta afirmação, pergunto se ele está a falar a sério ou a brincar, e se me acha com “cara de palhaço"- fazendo intenção de me levantar.

Refiro que, através de Frank Carlucci, já estava a par de tudo.

Lee Rodrigues pede calma, referindo depois Canto e Castro que desconhecia que eu já estava a par de tudo, mas que sendo assim nada mais havia a esconder.

Possivelmente em Novembro, é-me solicitado por Philip Snell que participe numa reunião em Cascais, num iate junto á antiga marina (na altura não existia a actual marina).

Vou e levo comigo José Esteves.

Essa reunião tem lugar entre as 20 e as 23 horas, nela participando Philips Snell, Oliver North, Frank Sturgies, Sydral e Lee Rodrigues e mais cerca de 2 ou 3 estrangeiros, que julgo serem americanos.

Nesta reunião é referido que há que preparar com cuidado a operação que será para breve, e falam-se de pormenores a ter em atenção.

É referido também os cuidados que devem  ser realizados depois da operação, e o que fazer se algo correr mal.

A língua utilizada na reunião é o inglês.

José Esteves recebeu então USD 200.000 pelo seu futuro trabalho.

Eu não recebi nada pois já era pago normalmente pela CIA.

Eu nessa altura recebia da CIA o equivalente a cinco mil US Dólares, dispondo também de dois cartões de crédito Diner's Club e Visa Gold, ambos com plafonds de 10.000 US Dólares.

Lee Rodrigues pede-me então que arranje um cartão para José Esteves entrar no aeroporto.

Para este efeito, obtenho um cartão forjado, na Mouraria, em Lisboa, numa tipografia que hoje já não existe.

Lee Rodrigues diz-me também que irá obter uma farda de piloto numa loja ao pé do Coliseu, na Rua das Portas de Santo Antão.

A meu pedido, João Pedro Dias, que era carteirista, arranja também um cartão para Lee Rodrigues.

Este cartão foi obtido por João Pedro Dias, roubando o cartão de Miguel Wahnon, que era funcionário da TAP.

Apenas foi necessário mudar-se a fotografia desse cartão, colocando a fotografia de Lee Rodrigues.

José Esteves prepara então na sua casa no Cacém, um engenho para o atentado. 

Conta com a colaboração de outro operacional  chamado Carlos Miranda, especialista em explosivos, que é recrutado por mim, e que eu já conhecia de Angola, quando Carlos Miranda era comandante da FNLA e depois CODECO em Portugal.

José Esteves foi também um dos principais comandantes da FNLA, indo muitas vezes a Kinshasa.

Depois do artefacto estar pronto, vou novamente a Paris.

No Hotel Ritz, à tarde, tenho um encontro com Oliver North, o cor. Wilkison e Philip Snell, onde se refere que o alvo a abater era Adelino Amaro da Costa, Ministro da Defesa.

Volto a Portugal, cerca de 5 ou 6 dias antes do atentado.

É marcado por Oliver North um jantar no hotel Sheraton.

Nesse jantar aparece e participa um indivíduo que não conhecia e que me é apresentado por Oliver North , chamado Penaguião.

Penaguião afirma ser segurança pessoal de Sá Carneiro.

Oliver North refere que Penaguião faz parte da segurança pessoal de Sá Carneiro e que é o homem que conseguirá meter Sá Carneiro no Avião.

Penaguião afirma, de forma fria e directa que Sá Carneiro também iria no avião, "pois dessa forma matavam dois coelhos de uma cajadada!"

Afirma que a sua eliminação era necessária, uma vez que Sá Carneiro era anti-americano, e apoiava incondicionalmente Adelino Amaro da Costa na denúncia do tráfico de armas, e na descoberta do chamado saco azul do Fundo de Defesa do Ultramar, pelo que tudo estava, desde o início, preparado para incluir as duas pessoas.

Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa.

Fico muito receoso, pois só nesse momento fiquei a conhecer a inclusão de Sá Carneiro no atentado.

Pergunto a Penaguião como é que ele pode ter a certeza de que Sá Carneiro irá no avião, ao que Penaguião responde de que eu não me preocupasse pois que ele, com mais alguém, se encarregaria de colocar Sá Carneiro naquele avião naquele dia e naquela hora, pois ele coordenava a segurança e a sua palavra era sempre escutada.

No final do jantar, juntam-se a nós três o Gen. Diogo Neto e o Cor. Vinhas.

Fico estarrecido com esta nova informação sobre Sá Carneiro, e decido ir, nessa mesma noite, à residência do embaixador dos EUA, na Lapa, onde estava Frank Carlucci, a quem conto o que ouvi.

Frank Carlucci responde que não me preocupasse, pois este plano já estava determinado há muito tempo.

Disse-me que o homem dos EUA era Mário Soares, e que Sá Carneiro, devido à sua maneira de ser, teimoso e anti-americano, não servia os interesses estratégicos dos EUA.

Mário Soares seria o futuro apoio da política americana em Portugal, junto com outros lideres do PSD e do PS.

Aceito então esta situação, uma vez que Frank Carlucci já me havia dito antes que tudo estava assegurado, inclusivamente se algo corresse mal, como a minha saída de Portugal, a cobertura total para mim e para mais alguém que eu indicasse, e que pudesse vir a estar em perigo.

Isto e a usual “realpolitik" dos Estados Unidos, e suspeito que sempre será.

Três dias antes do atentado há uma nova reunião, na Rua das Pretas no Palácio Roquete, onde participam Canto e Castro, Farinha Simões, Lee Rodrigues, José Esteves e Carlos Miranda

Carlos Miranda colaborou na montagem do engenho explosivo com José Esteves, tendo ido várias vezes a casa de José Esteves.

Nessa reunião são acertados os últimos pormenores do atentado.

Nessa reunião, Lee Rodrigues diz que ele está preparado para a operação e Canto e Castro diz que o  atentado será a 3 ou 4 de Dezembro.

Nessa reunião é dito que o alvo é Adelino Amaro da Costa.

No dia seguinte encontramo-nos com Canto e Castro no Hotel Sheraton, e vamos jantar ao restaurante " O Polícia".

No dia 4 de Dezembro, telefono de um telefone no Areeiro, para o Sr. William Hasselberg, na Embaixada dos EUA, para confirmar que o atentado é para realizar, tendo-me este referido que sim.

Desse modo, à tarde, José Esteves traz uma mala a minha casa, e vamos os dois para o aeroporto.

Conduzo José Esteves ao aeroporto, num BMW do José Esteves.

Já no aeroporto, José Esteves e eu entramos no aeroporto, por uma porta lateral, junto a um posto da Guarda Fiscal, utilizando o cartão forjado, anteriormente referido.

Depois José Esteves desloca-se e entrega a mala, com o engenho, a Lee Rodrigues, que aparece com uma farda de piloto e é também visto por mim.

Depois de cerca de 15 minutos, sai já sem a mala, e sai comigo do aeroporto.

Separamo-nos, mas mais tarde José esteves encontra-se novamente comigo no cabeleireiro Bacta, no centro comercial Alvalade.

Depois José esteves aparece em minha casa com a companheira da época, de nome Gina, e com um saco de roupa para lá ficar por precaução.

Ouvimos depois o noticiário das 20 horas na televisão, e José Esteves fica muito surpreendido, pois não sabia que Sá Carneiro também ia no avião.


(CONTINUA...)