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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Correio da Manhã de 10.09.09: Procurador com ligações ao PS.


José Alberto Varela Martins, o magistrado a quem foi distribuído o processo contra os investigadores do Freeport, que foram constituídos arguidos por um dia, foi o mesmo que arquivou o caso José Luís Judas e o único magistrado a estar presente na mesa de honra do PS no lançamento da candidatura à Câmara de Cascais, em 2001, encabeçada por José Lamego.

Segundo vários magistrados ouvidos pelo CM, a escolha de Varela Martins para tutelar o processo-crime contra os magistrados Paes Faria e Vítor Magalhães – na sequência de uma queixa apresentada pelo arguido Carlos Guerra – teria partido da procuradora distrital Francisca Van Dunen.

No entanto, em resposta ao CM, a procuradoria explicou que “a distribuição dos inquéritos efectua-se de acordo com critérios pré-definidos de rotação pelos vários procuradores-gerais adjuntos com total garantia de aleatoriedade”, afiançando que neste caso a distribuição “resultou exclusivamente da aplicação desses critérios e foi autonomamente efectuada pela secretaria”.

Carlos Guerra, arguido no processo Freeport, pediu o afastamento dos investigadores, o que foi recusado, e avançou com uma participação disciplinar e uma queixa-crime. Varela Martins ficou com o processo e interrogou os magistrados como arguidos, anulando esse acto um dia depois.

Ana Luísa Nascimento

Correio da Manhã de 23.10.09: Sócrates aposta em Governo de fiéis.


José Sócrates apostou na coesão e na fidelidade no seu segundo Governo, apresentado ontem à tarde ao Presidente da República. Oito novas caras, cinco independentes e cinco mulheres, para lá da continuidade do núcleo duro do Governo, são os traços essenciais do Executivo que é empossado na segunda-feira. "É um exercício de equilibrismo entre independentes tecnocratas e sem experiência política, fiéis do líder e cinco mulheres para refrescar e respeitar quotas", disse ao CM um dirigente socialista.

Vieira da Silva, que recebeu o Euromilhões dos fundos comunitários, Pedro Silva Pereira e Teixeira dos Santos permanecem os pilares do núcleo político e técnico do Executivo para coordenar e enfrentar conflitos. São fiéis e, no caso de Vieira da Silva e Silva Pereira, a ligação mais forte do Governo ao PS, para lá do próprio Sócrates. Aqui, porém, há quem veja ‘pouco PS’ no Governo que não tem ninguém de António Costa ou António José Seguro. Assim são interpretados os afastamentos de Ascenso Simões, Eduardo Cabrita, Ana Paula Vitorino, entre outros.

Num segundo patamar, permanecem valores considerados consensualmente seguros. Rui Pereira despertou alguns anticorpos em sectores do PS, mas geriu a Administração Interna sem conflitos de maior, Ana Jorge, que pacificou a Saúde, e Mariano Gago, incontornável na Ciência, são valores de continuidade. Nas caras novas, a grande expectativa está no titular das Obras Públicas, António Mendonça, um catedrático de economia que assinou o manifesto a favor dos grandes investimentos.

Isabel Alçada recebe a Educação, fardo muito pesado devido à herança deixada por Lurdes Rodrigues. Alçada é uma indiscutível conhecedora do sector, mas resta saber se tem a capacidade negocial e política suficientes para encarar um exército de professores descontentes e em clima de guerra civil com Sócrates e o Governo. Alberto Martins, na Justiça, é um institucionalista e , por isso, não são esperadas grandes mudanças. É amigo pessoal de Noronha Nascimento e de Marinho Pinto. A grande experiência política de Jorge Lacão é um trunfo nos Assuntos Parlamentares e Santos Silva, na Defesa, é encarado nos meios socialistas como o lugar adequado para um ministro que gosta "de malhar"...

VIEIRA DA SILVA VAI GERIR MILHÕES COMUNITÁRIOS

José Vieira da Silva, novo ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento, é, sem dúvida, o nome mais beneficiado com a nova orgânica do Governo. À frente da Economia, o ex-ministro do Trabalho e da Segurança Social vai ser responsável pela gestão do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), que concentra os fundos comunitários, cuja execução tem sido alvo de fortes críticas.

Com a transferência de Vieira da para a Economia, Inovação e Desenvolvimento, pasta decisiva para ajudar o País a sair da actual crise económica e social, José Sócrates não só reconhece o trabalho de Vieira da Silva na anterior pasta, como coloca num ministério sensível um nome de confiança para gerir um total de 7,7 mil milhões de euros de fundos comunitários.

Vieira da Silva integrou o núcleo duro de José Sócrates na negociação com os partidos de acordos de coligação governamental ou parlamentares.

NÚMEROS

8

Metade dos 16 ministros do novo Executivo de José Sócrates são caras novas, e cinco destes são independentes.

25

José Sócrates foi dos governantes que mais tempo demorou a formar um Governo. Passaram-se 25 dias desde as eleições até à formação do Executivo.

12

A 12 de Outubro, o secretário--geral do PS foi convidado a formar Governo pelo Presidente da República.

5

Uma das maiores novidades do novo Executivo é o aumento de duas para cinco mulheres com responsabilidade governativas.

97

Foi o número de deputados eleitos pelo PS nas legislativas, em que obteve 36,6 por cento dos votos dos eleitores.

ANTÓNIO COSTA SEM GRUPO

José Sócrates demorou vinte e cinco dias a anunciar o XVIII Governo Constitucional que não conta com ministros da área socialista mais próxima de António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Ana Paula Vitorino, actual secretária de Estado dos Transportes, Eduardo Cabrita, secretário de Estado Adjunto e da Administração Local, e Ascenso Simões foram nomes equacionados nas promoções a lugares ministeriáveis, mas ficaram de fora. Ascenso Simões, aliás, coordenou a campanha eleitoral mas nem deputado é, depois de ter recusado ficar atrás de Pedro Silva Pereira na lista de Vila Real. José Sócrates quis manter o seu núcleo duro e afastar do Conselho de Ministros figuras que, de alguma maneira, estão ligadas a correntes internas que não lhe são totalmente fiéis.

Em tom sarcástico, há quem já diga que este Governo, por ter tão poucas pontes com o PS, provavelmente não passaria no Secretariado socialista... Fontes do PS estranham o aparente distanciamento de Costa na formação do Governo. Admitem que tenha sido consultado por Sócrates mas que está mais apostado na CML. O CM sabe que alguns dos nomes ora afastados podem ser secretários de Estado, que deverão ser empossados dentro de uma semana. Aqui, é também previsível a entrada de um número grande de mulheres.

ISABEL ALÇADA AFINAL É MINISTRA

Isabel Alçada, co-autora da colecção ‘Uma Aventura’, é a nova ministra da Educação, sucedendo a Maria de Lurdes Rodrigues. Mas a ministra não começou da melhor forma. Há várias semanas que o seu nome era avançado para a pasta da Educação, mas ainda ontem de manhã Isabel Alçada continuava a negar qualquer convite para integrar o novo Governo. À tarde acabou por ser desmentida com a publicação da lista.

PORMENORES

16 MINISTÉRIOS

O XVIII Governo Constitucional, à semelhança do anterior, tem dezasseis ministérios. Metade dos ministros anunciados é estreante e o restante bisa, embora alguns troquem de pastas.

POSSE

O Executivo ontem anunciado deverá tomar posse na próxima segunda-feira, a menos que o Presidente da República, Cavaco Silva, apresente alguma reserva quanto aos nomes submetidos à sua apreciação.

DEZ DIAS

Após a tomada de posse, o Governo tem dez dias para apresentar o seu programa para os próximos anos e submetê-lo à análise dos deputados em debate na Assembleia da República.

NOTAS

JOSÉ PEDRO AGUIAR-BRANCO, PSD

"Vieira da Silva teve um bom desempenho e lança boas expectativas de que também tenha um bom desempenho na nova pasta"

JOÃO JARDIM, LÍDER DO PSD-MADEIRA

"Não resisto a dizer uma das minhas: com Augusto Santos Silva na Defesa estou a ver a esquadra portuguesa toda afundada."

JOSÉ MANUEL PUREZA, BE

"O núcleo central do anterior Governo mantém-se em funções. Há aqui continuidade a mais para um País que necessita de mudar"

BERNARDINO SOARES, PCP

"São, na maioria dos casos, ministros do Governo anterior. O sinal claro que se dá é de que não há perspectiva de uma mudança de política"

CARVALHO DA SILVA, CGTP

"[Helena André] É uma surpresa. Nunca analisámos as suas capacidades técnicas, mas há um sinal, é órgão da UGT"

BETTENCOURT PICANÇO, STE

"O que esperamos é que este Governo con-siga ir mais além no diálogo com os trabalhadores"

JOÃO GRANCHO, ANP

"Tem percurso profissional que lhe permite exercer o cargo em melhores condições do que a anterior ministra"

FERNANDO ULRICH, PRESIDENTE DO BPI

"Tenho dele [Teixeira dos Santos] uma excelente impressão como pessoa e como profissional. É determinado, mas ouve."

ALPEDRINHA PIRES, PRESIDENTE DA AOFA

"[Augusto Santos Silva ] É uma escolha com peso político e isso representa uma consideração pela Defesa Nacional e pelas Forças Armadas"

RUI RANGEL, JUÍZES PELA CIDADANIA

"[Alberto Martins] tem a elasticidade para perceber as necessidades da Justiça, ajudando a credibilizar os juízes e magistrados"

PEDRO NUNES, BASTONÁRIO DA ORDEM DOS MÉDICOS

"O desempenho de Ana Jorge tornou clara a diferença entre a ministra da Saúde que conhece o sector e os que a antecederam."

OITO NOVAS CARAS NO GOVERNO

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros

Luís Amado natural de Porto de Mós, onde nasceu há 56 anos, é casado com uma madeirense e tem dois filhos.

No anterior Governo, Luís Amado começou como ministro da Defesa até transitar para a pasta dos Negócios Estrangeiros com a saída de Freitas do Amaral. Manterá a pasta da diplomacia no novo Executivo e o estatuto de ministro de Estado. Anterior mandato ficou marcado pela assinatura do Tratado de Lisboa.

Ministro da Administração Interna

Rui Pereira, 53 anos, nasceu em Miranda do Douro. É licenciado em Direito e mestre em Ciências Jurídicas.

É um dos ministros que transita do anterior Governo, mantendo a responsabilidade da Administração Interna, que assumiu em substituição d e António Costa. Os comandantes das forças de segurança defenderam a manutenção no cargo do homem que antes de integrar o Governo foi o arquitecto das novas leis penais.

Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

António Mendonça Professor Catedrático do ISEG, onde já foi presidente do conselho directivo, tem 55 anos.

É tido como uma das grandes surpresas do novo Executivo. Um académico que subscreveu com Luís Nazaré e outros professores do ISEG, o contramanifesto em defesa da necessidade de investimento público na alta-velocidade, no novo aeroporto e na terceira travessia do Tejo.

Ministra da Educação

Isabel Alçada nasceu em Lisboa há 59 anos. Comissária do Plano Nacional de Leitura, é escritora e professora.

Licenciada em Filosofia, é talvez mais conhecida pelos livros infanto--juvenis ‘Uma Aventura’, dos quais é co-autora. Comissária do Plano Nacional de Leitura. Já esteve no Ministério da Educação, nos anos de 1975 a 1976. É casada com o presidente da Fundação Gulbenkian, Rui Vilar, que também já foi ministro.

Ministro de Estado e das Finanças

Teixeira dos Santos nasceu na Maia, tem 58 anos e concluiu um doutoramento nos EUA.

Transita do Governo anterior para a mesma pasta, embora perdendo a Economia que acumulou após a saída de Manuel Pinho. Os principais desafios futuros serão controlar o défice das contas públicas – que com a crise disparou para mais de 9 mil milhões de euros – e prosseguir a reforma da Administração Pública.

Ministro da Justiça

Alberto Martins, 64 anos, é natural de Guimarães. É licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra.

Deixa a liderança do grupo parlamentar do PS para assumir a Justiça. Entrou no PS com Vítor Constâncio, e foi um dos apoiantes mais acérrimos de Jorge Sampaio. Chegou pela primeira vez ao Governo em 1999, convidado por António Guterres, e ocupou a pasta da Reforma do Estado e da Administração Pública.

Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território

Dulce Pássaro Engenheira química, a responsável, de 56 anos, nasceu em Oliveira do Hospital.

Desde 2003 que exerce funções como vogal do Conselho Directivo do Instituto Regulador de Águas e Resíduos. Licenciou-se no Instituto Superior Técnico e especializou-se em Engenharia Sanitária na Universidade Nova, tendo iniciado a actividade profissional como professora assistente no ensino politécnico.

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Mariano Gago Nasceu em Lisboa. O responsável tem 61 anos e é doutorado em Física.

Mais um repetente do anterior Executivo na Pasta que já ocupava. Os sindicatos esperam que durante esta legislatura o ministro invista mais no Ensino Superior e que repense decisões tomadas anteriormente. Além de ministro, é presidente do IRGC, fundação internacional para a gestão de riscos públicos.

Ministro da Presidência do Conselho de Ministros

Pedro Silva Pereira Casado e com dois filhos, nasceu há 47 anos em Lisboa e é licenciado em Direito.

O ‘braço-direito’ político de José Sócrates mantém a pasta da Presidência no novo Executivo. Em 1995, na qualidade de jurista, começou a trabalhar com José Sócrates na secretaria de Estado do Ambiente, no Governo de António Guterres. Filiou-se no PS em 2000 e estreou-se como deputado em 2002.

Ministro da Economia, Inovação e Desenvolvimento

Vieira da Silva Natural da Marinha Grande, onde nasceu há 53 anos, é licenciado em Economia pelo ISEG.

Depois de ter conseguido acordos entre patronato e sindicatos na concertação, passa do Ministério do Trabalho e Solidariedade Social para a Economia, onde terá a cargo a execução do QREN. Apaziguar as PME e devolver novo fôlego à economia nacional estarão na lista de prioridades do ministro.

Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social

Maria Helena André Nasceu em Oeiras, há 48 anos. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas.

Deixa o cargo de secretária-geral adjunta da Confederação Europeia de Sindicatos (CES) que assumiu após ter dirigido o departamento internacional da UGT. A sindicalista e militante do PS terá de enfrentar um desemprego recorde, que oficialmente já ultrapassa a fasquia de meio milhão de pessoas.

Ministra da Cultura

Gabriela Canavilhas A pianista tem 48 anos e nasceu em Sá da Bandeira, Angola.

Transita de directora Regional da Cultura dos Açores para o Palácio da Ajuda. Foi responsável pela reestruturação da Orquestra Metropolitana de Lisboa, a que presidiu após o afastamento de Miguel Graça Moura, e entrou no filme de João Botelho ‘Tráfico’. Tem por objectivo dar mais visibilidade à cultura.

Ministro da Defesa Nacional

Augusto Santos Silva nasceu a 20 de Agosto de 1956, no Porto. Deixa a pasta dos Assuntos Parlamentares.

Pela primeira vez, Augusto Santos Silva vai assumir o cargo de ministro da Defesa, substituindo Nuno Severiano Teixeira, que deixa o Governo.

A reestruturação das carreiras e a Lei de Programação Militar são dois dos grandes desafios que irá encontrar quando assumir funções na próxima segunda-feira.

Ministro da Agricultura, do Desenv. Rural e das Pescas

António Serrano com 44 anos, é professor Catedrático na Universidade de Évora.

Doutor em gestão de empresas, abandona o cargo de presidente do conselho de administração do hospital Espírito Santo, em Évora, para entrar Governo. Satisfeito por ter sido escolhido, admite estar "disponível" para "esta tarefa complexa", assumindo-se como "um servidor público".

Ministra da Saúde

Ana Jorge, 60 anos, é médica com especialidade em Pediatria. Assumiu a pasta da Saúde em Janeiro de 2008.

Trouxe novo fôlego à pasta da Saúde depois de uma polémica gestão de Correia de Campos. Antes de assumir, pela primeira vez, a pasta da Saúde, Ana Jorge dirigia o serviço de Pediatria do Hospital Garcia de Orta. Na transição para o novo Executivo, a responsável leva consigo a preocupação com o vírus H1N1.

Ministro dos Assuntos Parlamentares

Jorge Lacão licenciado em Direito, nasceu em Portalegre há 55 anos. Aderiu ao PS em 1974, após o 25 de Abril.

Sobe a ministro dos Assuntos Parlamentares, depois de quatro anos como secretário de Estado da Presidência. Com uma ampla experiência parlamentar, tendo sido eleito deputado pela primeira vez em 1983, Jorge Lacão terá como missão fazer a articulação entre o Governo e a Assembleia da República.

Eduardo Dâmaso/A.S.A./A.R. F./E.D.

Sol de 23.10.09: Ex-ministro de Durão prepara regresso da TAAG à Europa.


A proibição remonta a 2007, altura em que a Associação Internacional dos Transportes Aéreos (IATA) colocou a operadora angolana numa lista negra. «Foram detectadas centenas de irregularidades», explica ao SOL fonte da aviação civil, acrescentando que as falhas se alastravam ao próprio regulador angolano, o Instituto Nacional da Aviação Civil (INAVIC).

Para a TAAG, o fecho das portas europeias é um cenário negro que ameaça a sua própria existência, arriscando-se a perder dois dos seus mais importantes mercados: as rotas de França e da Holanda.

Foi na altura em que a Comissão Europeia (CE) chumbou, pela segunda vez, o levantamento desta proibição que António Martins da Cruz avançou, oferecendo os seus serviços de consultadoria ao próprio Presidente angolano, José Eduardo dos Santos. A seu favor tinha, desde logo, o facto de beneficiar de um fácil acesso ao presidente da CE, Durão Barroso.

José Manuel Moroso

Sol de 23.10.09: Novo Executivo é uma remodelação, com «maior músculo político».


Tanto António Costa Pinto como André Freire, dois politólogos contactados pela Agência Lusa, consideraram tratar-se de um Executivo que permanece «centrado na figura do primeiro-ministro».

«Este novo elenco veio dar maior músculo político. Há um núcleo duro que se mantém. Pesou muito a componente de experiência política, parlamentar e governativa, continuando na tradição portuguesa de um razoável número dos chamados independentes, mas com poucos sinais de concessão ao Centro-Direita ou à Esquerda», analisou Costa Pinto.

O especialista do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa antevê um cenário em que «nem todos os ministros serão iguais, pois os novos e mais inexperientes ficarão obviamente subordinados, sem grande movimentação e discretos em termos de iniciativa».

«Apesar de contrariar a expectativa de um governo predominantemente composto por políticos profissionais, com a entrada de caras menos conhecidas nesta nova equipa, ministros há que se assumem cada vez mais como generalistas. São os casos de Vieira da Silva ou Augusto Santos Silva, por exemplo, ao desempenharem várias funções em áreas diversas», concluiu.

André Freire, por seu turno, reconheceu «alguns sinais positivos», como a nomeação de uma sindicalista para a pasta do Trabalho e Solidariedade Social, Helena André, embora estranhe a manutenção de ministros que não terão cumprido objectivos, como Rui Pereira, na Administração Interna.

«Em larga medida, é um governo em forte linha de continuidade, uma espécie de remodelação profunda, com poucas surpresas até porque se trata do mesmo partido, do mesmo primeiro-ministro. Vê-se que tem peso político e há uma tentativa de abertura ao diálogo, um maior desejo de negociação, mas vai continuar centrado na figura do primeiro-ministro», comentou o investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.

Freire estimou que a «capacidade negocial» vá ser crucial na nova legislatura, uma vez que, sem maioria absoluta, «quem está agora com as pastas tem que incorporar contributos da Oposição e há pessoas que não se adequam muito a isso», justificando assim o facto de alguns dos novos ministros terem pouca visibilidade pública e de não haver mais «pesos-pesados» além dos que já integravam o elenco anterior.

O XVIII Governo é composto por um total de 16 ministros, dos quais seis se mantêm nas funções que já desempenhavam, enquanto dois se estreiam em novos sectores. Ao todo, serão oito as caras novas em reuniões do Conselho de Ministros, aumentando para cinco as mulheres do Executivo, além do novo secretário de Estado e porta-voz do PS, Tiago Silveira.

Lusa/SOL

Sol de 23.10.09: Peça sobre caso Freeport emitida hoje no Jornal Nacional.


A peça é um trabalho de investigação sobre o caso Freeport feito pelos jornalistas Ana Leal, Carlos Enes e Manuela Moura Guedes.

Esta é a única peça das preparadas para o Jornal de Sexta que vai para o ar hoje à noite, sendo o resto do noticiário composto essencialmente por informação de agenda, disseram as mesmas fontes.

A edição de hoje do telejornal da TVI vai ser apresentada pela jornalista Patrícia Matos, contratada recentemente para a TVI24, depois de vários pivots terem rejeitado o convite, acrescentaram aquelas fontes.

Em Abril, o primeiro-ministro apresentou uma queixa em Tribunal contra estes três jornalistas - Ana Leal, Carlos Enes e Manuela Moura Guedes - por terem exibido numa peça jornalística um DVD que alegadamente implicava José Sócrates no caso Freeport.

O Jornal de Sexta foi suspenso por decisão da administração da TVI, uma medida que levou à demissão em bloco da direcção de informação, da chefia de redacção e dos editores.

Lusa/SOL

Sol de 23.10.09: Arguido do Freeport declara que um responsável político recebeu 750 mil euros.


Os dirigentes da Freeport PLC eram Gary Russell, director comercial, e Jonathan Rawnsley, director de empreendimentos.

Em 2003, à saída de uma reunião oficial para discutir aspectos do licenciamento do outlet, Rawnsley não gostou dos novos problemas suscitados, enfiou as mãos nos bolsos e exclamou: «O dinheiro com que já entrámos ainda não chega?».

Foi nessa altura que este arguido teve a certeza da existência de subornos naquele negócio.

Esta conversa ocorreu em 2003, já depois da aprovação do projecto (em 14 de Março de 2002, a três dias das eleições legislativas, perdidas pelo PS) e tinha como pano de fundo as dificuldades que a Freeport estava agora a enfrentar, na Câmara de Alcochete e no Instituto de Conservação da Natureza (em termos de cumprimento do projecto e das medidas de requalificação ambiental de zonas adjacentes ao outlet, impostas pela Declaração de Impacte Ambiental).

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

D.N. - 01.10.09: Caso que envolve Sócrates foi arquivado e reaberto.


Em 2001, um despacho de José Sócrates, como ministro do Ambiente, e de Capulas Santos, da Agricultura, permitiu o abate de sobreiros para uma urbanização.
O caso está em investigação há seis anos sem resultados objectivos, mas com muitas peripécias pelo meio.
Já foi arquivado, mas o director do DIAP de Évora mandou reabri-lo em 2008 .

Parado, dividido, arquivado e reaberto.
Esta é, em síntese, a história da investigação ao chamado caso Vale da Rosa ou Nova Setúbal, que envolve um despacho de José Sócrates que permitiu em 2001 o abate de sobreiros para a construção de uma urbanização em Setúbal.
Iniciada em 2003 no Ministério Público daquela cidade, a investigação esteve, durante um ano, a correr em dois departamentos da Polícia Judiciária.
Só ao fim daquele tempo é que um procurador se apercebeu de que havia dois inquéritos sobre o mesmo assunto, um titulado por si, o outro pela colega do lado.
As peripécias da investigação do caso Vale da Rosa (ver pergunta e resposta) estão à vista nos, apenas, quatro volumes que o processo (consultado pelo DN esta semana no DIAP de Évora) acumulou em seis anos.
Após a entrada da denúncia inicial, em Março de 2003, um procurador do MP de Setúbal remeteu-a para a ex- Direcção Central de Investigação da Corrupção e da Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF) da PJ situada em Lisboa.
Ao mesmo tempo, o Departamento da PJ de Setúbal também tinha uma investigação em curso sobre o mesmo assunto.
E assim ficou.
Só em Janeiro de 2004, é que o procurador que enviou a investigação para Lisboa se apercebeu que, afinal, havia outra: "Só agora me foi dado a conhecer que relativamente aos factos ilícitos participados corre já termos o (processo) 422/03.5, cuja investigação está a ser levada a cabo pelo Departamento de Investigação Criminal de Setúbal".
Resultado: o magistrado enviou um ofício para a DCICCEF, ordenando a remessa desta investigação para Setúbal, a fim de ser incorporada na outra.

Este pára-arranca levou a que só a 2 de Novembro de 2004 é que Francisco Ferreira, então presidente da associação ambientalista Quercus que também denunciou publicamente o assunto, fosse ouvido como testemunha para concretizar alguns dos factos denunciados.
Ainda durante este mês, o procurador-distrital de Évora decide retirar o caso do MP de Setúbal e transferi-lo para o Departamento de Investigação e Acção Penal de Évora (DIAP).
Isto após o director deste departamento, Alcides Rodrigues, ter feito um parecer, considerando ter sido "um erro" retirar "a investigação da área da DCICCEF, naturalmente mais vocacionada para a análise destas matérias".

Até Agosto de 2008, a investigação prosseguiu aos solavancos, com pequenas descobertas a nível local, como transferências de dinheiro feitas por Emídio Catum, um dos sócios da empresa Pluripar que estava no centro do negócio, para Mata-Cáceres, antigo presidente da Câmara de Setúbal (ver texto nesta página).
De fora ficou qualquer diligência para se apurar se houve, por exemplo, tráfico de influências, para o despacho de Outubro de 2001 de José Sócrates e Capoulas Santos que permitiu o abate de sobreiros.
Um procurador do DIAP de Évora decidiu arquivar o caso.
Mas o director do DIAP não concordou com a decisão, ordenando a sua reabertura, dizendo que "a investigação não realizou todas as diligências que se impunham para confirmar ou dissipar as suspeitas".
O caso mantém-se em aberto.